Entrevista Rosângela Pinheiro: “O papel do Terceiro Setor na prevenção e conscientização do câncer de mama é fundamental” | TheBridge Global | Blog

Entrevista Rosângela Pinheiro: “O papel do Terceiro Setor na prevenção e conscientização do câncer de mama é fundamental”

| 1 Comentário

A Dra. Rosângela Pinheiro (foto) tem uma longa e profícua trajetória em prol das mulheres que são ou já foram vítimas do câncer de mama.

Fundadora do Instituto Quem Ama a Mama – uma organização independente, sem fins lucrativos, cujo principal objetivo é desenvolver, facilitar e programar a integração de mulheres portadoras do câncer de mama na sociedade – , Rosângela é fisioterapeuta especializada em reabilitação em oncologia e profere palestras de conscientização em todo o país, promovendo a saúde e compartilhando informações sobre a doença.

No próximo dia 20 de junho, Rosângela vai receber uma premiação chancelada pelo Movimento Agora Brasil, organização instituída há 12 anos e declarada de utilidade pública, onde vai representar a área de saúde da mulher, o que comprova a importância do seu trabalho no combate ao estigma do câncer de mama e na melhoria da auto-estima das pacientes que sofrem da doença.

Nesta entrevista exclusiva ao blog da TheBridge, a fisioterapeuta falou sobre seu trabalho à frente do Instituto, destacando a importância do Terceiro Setor e da sociedade na prevenção e conscientização do câncer de mama. “Mulher poderosa é mulher consciente”, diz. Confira a seguir.

Como aconteceu a criação do Instituto Quem Ama a Mama?
O Instituto Quem Ama a Mama foi criado em 2011 pela necessidade de atendimento humanizado e digno às mulheres que estão enfrentando o câncer de mama, desta forma  apoiando e encorajando as mulheres no caminho da recuperação total, promovendo atividades para o retorno ao mercado de trabalho de forma plena à sociedade.

Como está organizado o instituto e quais são seus principais objetivos?
Somos uma equipe composta por profissionais multidisciplinares na área da saúde. Nossas metas e objetivos: atendimento fisioterapia em oncologia; apoio psicológico, jurídico e nutricional; oficinas de trabalhos e cursos para facilitar à mulher a inserção no mercado de trabalho; e campanhas diretas em ações de saúde.

A senhora ministra palestras em todo o Brasil sobre mitos e verdades do câncer de mama. Pode nos falar sobre esse trabalho?
Realizar palestras de conscientização promovendo a saúde e compartilhando informações corretas embasadas cientificamente são peças-chave para  evitar consideravelmente a disseminação dessa doença. Com nossas palestras e campanhas buscamos fazer a diferença na vida das mulheres, esclarecendo dúvidas que atrapalhem o diagnóstico precoce. Desta forma, queremos orientar os colaboradores, funcionários e associados das empresas sobre a prevenção de doenças. A palestra tem o objetivo de alertar sobre as mudanças no estilo de vida voltadas para a qualidade de vida, despertando sobre a importância do cuidado com a saúde e com o estilo de vida e também alertar sobre ações preventivas para a redução das doenças, melhorando a qualidade de vida e os índices de satisfação e produtividade.

Quais são as principais dificuldades das mulheres que se submetem a quimio ou radioterapia? Como a sua palestra pode ajudá-las nesse sentido?
Cada paciente reage de forma diferente e deve ser tratado com um plano de conduta de acordo com cada caso, porém, os sintomas indesejáveis mais frequentes são o cansaço, a perda de apetite e as reações da pele. Com as palestras específicas, temos o foco de recuperação da qualidade de vida da mulher que enfrenta as sequelas do tratamento.

Como a senhora analisa as políticas públicas dirigidas às pacientes de câncer de mama no Brasil? O que ainda falta ser feito?
As políticas direcionadas aos pacientes que enfrentam o câncer avançam com a Lei 12.802/2013, que obriga o Sistema Único de Saúde (SUS) a fazer a cirurgia plástica reparadora da mama logo em seguida à retirada do câncer, quando houver condições médicas. Se a reconstrução não puder acontecer imediatamente, a paciente deverá ser encaminhada para acompanhamento clínico. Outro passo importante foi a Lei 12.732/12, que assegura aos pacientes com câncer o início do tratamento em no máximo 60 dias após a inclusão da doença em seu prontuário, no Sistema Único de Saúde. Muito já foi feito, mas temos que avançar para que possamos desmistificar inúmeros mitos que dificultam o diagnóstico precoce. A necessidade de se falar de humanização no atendimento em saúde surge como necessidade para melhorar  a qualidade de vida do paciente.

Na opinião da senhora, qual é o papel do Terceiro Setor na conscientização do câncer de mama?
O papel do Terceiro Setor é fundamental, alertando e esclarecendo a sociedade de forma clara e objetiva sobre as informações precisas do combate ao câncer de mama, promovendo a saúde através da promoção da qualidade de vida e realizando um programa de divulgação e conscientização sobre a doença. Também tem um papel importante na assistência às pessoas em tratamento para atendimento e, ainda, na promoção de atividades voltadas ao bem estar e à auto-estima daqueles que estão em estágios diferentes do tratamento.

E a sociedade? Como também pode participar dessa luta contra a doença?
No Brasil, aproximadamente 50 mil novos casos surgem por ano. Desses, 10 mil resultam em mortes. A principal causa dessas mortes é o diagnóstico tardio. A sociedade pode e deve estar engajada, apoiando as instituições que incentivam a conscientização, comparecendo às ações globais, compartilhando por meio das mídias sociais as informações corretas. Tudo isso com o objetivo de alertar  e gerar discussão sobre o diagnóstico precoce e a importância do exame de mamografia. Mulher poderosa é mulher consciente.

One Comment

  1. Gostei do artigo, era o tipo de informação que buscava.

Deixe uma resposta

Campos requeridos estão marcados *.

*