[Artigo] Falar de Sustentabilidade significa falar antes das relações humanas | TheBridge Global | Blog

[Artigo] Falar de Sustentabilidade significa falar antes das relações humanas

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Por Leonor Sá Machado*

Viajar faz parte da minha vida de uma forma tão importante que acabei por transformar uma necessidade de trabalho numa procura incessante das diferenças e das igualdades daquilo que me cerca. Tentar implementar pelo mundo projetos de responsabilidade social nos faz adquirir um espírito crítico, ligeiramente exagerado, no que diz respeito aos outros. Para mim tudo é possível, seja qual for o território ou o tema a seguir, apenas se pede muita força de vontade e uma enorme consciência da existência do “outro”.

Saí ontem de São Paulo, onde os protestos estão por toda a parte e o Brasil conclui que a definição de democracia não é exatamente a mesma que se encontra na Wikipédia. Milhares de pessoas descontentes juntaram-se com outras pessoas que apenas querem agitar o momento e acabaram fazendo muita coisa errada sobre um assunto que tinha tudo para ser certo. Aterrissei hoje de madrugada em Luanda, Angola, apenas por 6 horas mal dormidas e já estou a caminho de Joanesburgo. Os comentários em Luanda giravam em torno de um certo discurso do presidente José Eduardo dos Santos que decidiu chamar de analfabeto o seu povo, numa entrevista dada à SIC, uma rede de televisão portuguesa por quem sempre nutriu ódios velados.

Saí do Brasil, onde queria ter uma varinha mágica e deixar esse povo falar e aparecer, apenas porque é importante ter uma voz, muitas vozes. A repressão não é sustentável neste momento glorioso em que o mundo se torna cada vez mais consciente de si mesmo. E chego a Angola onde encontro um povo triste e desmotivado porque o seu líder, algures em terras lusas, decide informar o mundo que o seu povo é iletrado.

Que momento é este que atravessamos em que o significado da palavra razoável deixou de fazer parte das lideranças do mundo? Para que serve fazer crescer para dimensões incontroláveis questões que podem ser resolvidas com alguma razoabilidade e alimentar ódios desnecessários que não servem causas nem pessoas?

A responsabilidade de se ser sustentável não tem apenas a ver com o mau estado do planeta ou com as causas sociais que precisam ser resolvidas. Ser razoável é ser sustentável, acreditar nas diferenças mas também nas igualdades e respeitar de forma veemente o ser humano.

Ser líder é ser razoável, sensato, conciliador, mas principalmente ser um exemplo de respeito pelos outros, pela sua dignidade.

Como podemos continuar a falar de sustentabilidade se nem conseguimos equilibrar a relação entre uns e outros? Como queremos promover a igualdade de gênero se nem é essa ainda a questão, já que nem os do mesmo gênero se entendem?

Comecemos por ser razoáveis e quem sabe, um dia desses, já possamos até falar um pouco de sustentabilidade.

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* Leonor Sá Machado é presidente da TheBridge. 

 

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