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A Ciência pode ser divertida

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O Ministério da Ciência e Tecnologia lançou um programa educativo, baseado em atividades lúdicas e um concurso nacional, que visa sensibilizar os jovens para o estudo das áreas da ciência, tecnologia e inovação

Angola tem uma população jovem, pelo que tem registado uma crescente procura de educação em todos os níveis de ensino, incluindo o técnico-profissional. Não obstante, uma das fragilidades detectadas pelo Plano Nacional de Desenvolvimento 2013- 2017 prende-se com a escassez de cursos universitários nas áreas de engenharia e tecnologia, o que se deve à menor apetência que os jovens angolanos demonstram por estas áreas de formação profissional.

A ministra da Ciência e Tecnologia de Angola, Maria Cândida Teixeira, está consciente dessa lacuna. “A realidade angolana mostra que a procura crescente por profissões das áreas de letras ou artes afasta os jovens da escolha de cursos mais vocacionados para a ciência e a tecnologia. É importante desenvolver programas de sensibilização nas escolas que impactem os alunos nos momentos da vida em que eles estão a decidir que curso irão seguir. Mais profissões técnicas são essenciais para que Angola se desenvolva e para que o seu crescimento social seja sustentado. Por isso, torna-se fundamental a criação de projetos que promovam essa informação e levem os jovens a interessar-se pelas áreas da ciência, tecnologia e inovação.”

Foi por essa razão que o Ministério da Ciência e Tecnologia (MINCT) decidiu criar um programa de sensibilização para a tecnologia chamado “Uma Viagem ao Mundo da Ciência, Tecnologia e Inovação”. Trata-se de um projeto educativo que recorre a uma abordagem lúdica — tal como a apresentação de peças de teatro gratuitas nas escolas — para explicar aos jovens e adolescentes de todas das províncias de Angola que as opções de carreira nas áreas da ciência e da tecnologia podem ser uma aventura divertida. A missão da “viagem” é promover um maior conhecimento dos jovens nas áreas da ciência e da tecnologia nas escolas e sensibilizá-los para a escolha de profissões nestas áreas.

O ponto forte é a peça de teatro
O programa é uma iniciativa do MINCT e será desenvolvido pela TheBridge Angola, empresa de direito angolano especializada em responsabilidade social. Segundo os responsáveis, propõe-se atingir um universo de 100 mil alunos (com idades acima dos 11 anos e que frequentam o 1.° ciclo do ensino secundário), 4 mil docentes (professores e coordenadores pedagógicos), assim como os pais, encarregados de educação e as comunidades locais. E será implementado em cerca de 200 escolas seleccionadas pelo Ministério, em todas as províncias de Angola.

Desde o mês passado que foram realizadas iniciativas em mais de 50 estabelecimentos de ensino na província de Luanda, sobretudo durante os períodos de férias do ano letivo, prevendo-se que as apresentações também ocorram noutros espaços públicos, nomeadamente nos bairros mais populares da capital. O ponto forte da “viagem” é a referida peça de teatro intitulada Quando Eu Crescer Eu Vou Ser…, que foi desenvolvida pelo ator brasileiro Sidney Bretanha e interpretada pelo grupo teatral angolano Jovens Conscientes. Durante cerca de 30 minutos, dois atores encarnam personagens da idade dos alunos, e um terceiro ator representa o papel de um ilustre cientista angolano, o Professor Bué. Nos diálogos entre os atores são abordadas as várias profissões ligadas ao mundo da ciência, da tecnologia e da inovação e realizadas diversas experiências científicas, que geram momentos de grande animação e interação com o público.

Leonor de Sá Machado, presidente da TheBridge Angola, explica as vantagens do recurso ao teatro. “A peça é muito divertida, mas também fala de coisas sérias, nomeadamente a escolha do que os jovens querem ser quando forem grandes. Além de os ajudar a refletir sobre essa decisão, que é tão importante para as suas vidas, o projeto tenta desmistificar o pavor que os jovens têm da Matemática, da Física ou da Química. Infelizmente, ainda temos em mente que estas disciplinas são um bicho-de-sete-cabeças”, justifica a responsável.

Para erradicar tais medos, além de assistirem à peça, os alunos irão receber uma brochura com conteúdos sobre o programa, que integra uma explicação sobre o que é a Matemática, a Física, a Química, a Biologia e as Tecnologias de Informação, assim como a indicação das profissões que podem ser escolhidas dentro de cada uma destas disciplinas. O referido Professor Bué também ensina a fazer experiências científicas práticas, fáceis e acessíveis a qualquer aluno do 1.° ciclo.

Os professores que irão coordenar o projeto nas escolas selecionadas também receberão materiais pedagógicos de apoio, para os ajudar a preparar as turmas para receberem o programa. Por fim, todas as escolas participantes receberão um kit com jogos pedagógicos Science4You (marca de referência a nível mundial na área dos brinquedos científicos) e um jogo de cartas, com mais de 200 perguntas, que são mais uma forma divertida de ensinar ciências.

Alunos vencedores recebem portáteis
Outro ponto importante do projeto passa pelo lançamento de um concurso entre escolas, a nível nacional, que pretende desafiar os alunos a escreverem uma redação subordinada ao tema: “O que quero ser quando for grande e porquê.” Durante todo o ano letivo de 2014, os professores deverão estimular os alunos a materializarem em texto o desejo que têm para a escolha da sua profissão futura. O concurso será coordenado pelas escolas, que escolherão os melhores trabalhos. Estes serão depois submetidos a uma short list a nível nacional. Os trabalhos vencedores de cada província serão, posteriormente, avaliados por um júri que selecionará o primeiro, segundo e terceiro lugares, a nível nacional.

No evento de encerramento do projeto, serão atribuídos os prêmios aos autores das redações vencedoras. A Inovia, a primeira marca nacional de eletrônica de consumo, oferecerá computadores portáteis aos primeiros classificados de cada província, assim como ao vencedor nacional. Um prêmio que será muito útil aos futuros cientistas angolanos.

Fonte: EXAME ANGOLA 

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