Produto social: uma nova maneira de pensar projetos sociais | TheBridge Global | Blog

Produto social: uma nova maneira de pensar projetos sociais

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Ao trabalhar em multinacionais em diversos países do mundo, percebi que o produto social cumpre com as mesmas etapas de formatação de um produto que você adquire no supermercado, por exemplo, da concepção ao lançamento, dos objetivos às expectativas de que ele seja “consumido” por determinado público.

Mais que qualquer um desses outros produtos, o produto social tem o “direito” e o “dever” de comunicar às pessoas e de dar a conhecer a sua existência. Esse conceito é desenvolvido por mim na TheBridge Global, empresa de consultoria de Responsabilidade Social da qual sou presidente. A TheBridge Global não é uma ONG ou uma OSCIP, a TheBridge Global é uma empresa comercial que vende produtos sociais, e nesses produtos sociais incluímos tudo o que há de mais moderno nas estratégias de marketing e comunicação.

É muito importante pensar que, se eu tenho um projeto social e quero implementá-lo num determinado mercado, devo dar a ele um tratamento de produto social, como se fosse algo que o consumidor irá adquirir. Por exemplo, se eu tenho um projeto para crianças que necessitam de apoio escolar e tenho uma ONG que faz esse apoio, de que forma poderia angariar fundos? Por que não fazer isso por meio das mídias sociais? Por que não divulgar o projeto e pedir por meio de um site de crowdfunding para que as pessoas contribuam?

Trabalhar os projetos sociais como se fossem produtos de consumo faz com que eles ganhem uma dinâmica midiática, divulgando informações para o “mundo” dos benefícios desses projetos para a sociedade.

Para que isso ocorra, estão à disposição das instituições diversas ferramentas já conhecidas e utilizadas pelos profissionais de marketing: ao formatar um produto social, pensamos em todas as etapas antes que ele chegue ao mercado. Analisamos o cenário social e econômico, o público alvo, acionamos uma assessoria de comunicação, criamos um hotsite, divulgamos nas mídias sociais, mensuramos os resultados…

Trabalhar os projetos sociais como se fossem produtos de consumo faz com que eles ganhem uma dinâmica midiática, divulgando informações para o “mundo” dos benefícios desses projetos para a sociedade.

Tenho certeza que, se os projetos sociais fossem tratados como produtos sociais, teriam mais possibilidades de contar com apoio exterior. Faz muito mais sentido pensar esses projetos sociais como ferramentas para impactar determinado público e comunicar os valores de uma empresa ou instituição do que fazê-los simplesmente porque “todo mundo faz” ou porque “está na moda”, ou pior, para cumprir uma obrigação social ou pagar menos impostos.

O produto social garante um sentido para todos os esforços por trás dele e é possível inclusive mensurá-lo para saber se de fato funciona ou não: se impactou a mídia, se repercutiu nas mídias sociais, se angariou os fundos que necessitava, se está efetivamente na “cabeça” das pessoas.

Tenho assim essa visão transversal de que as ONGs e OSCIPs são pequenas empresas que têm produtos para vender e que não conseguem vendê-los porque não sabem vendê-los. Primeiro, porque não capacitam seus colaboradores para tal. E depois porque não consideram que um projeto social é mais efetivo quando se transforma em um produto social.

E não há nada de errado pensar assim: para ser encarado de forma séria e ter efetividade, um produto social precisa ter esse apelo midiático e contar com o mesmo planejamento de qualquer outro produto comercial. Somente assim as instituições e, consequentemente, as empresas, terão os resultados que tanto precisam e almejam.

*Leonor de Sá Machado é presidente da TheBridge Global:www.thebridgeglobal.org.

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