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Os desafios do setor privado na promoção de projetos sociais

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Por Leonor Sá Machado

Com o passar dos anos, a Responsabilidade Social tornou-se tema obrigatório para as organizações privadas e da sociedade civil. Mas é preciso discutir e fomentar ainda mais este assunto, de forma a torná-lo algo recorrente nas empresas, ONGs ou OSCIPs.

Acredito que o investimento privado ou até mesmo os filantropos, aqueles que exercem um trabalho fantástico por meio de suas próprias organizações, são a única saída para o Terceiro Setor, no Brasil e no mundo. Sem eles, não há a possibilidade de pensarmos que o modelo que existe no país tenha qualquer tipo de sucesso.

Devido à crise econômica no Brasil, como também em Angola, o cenário é o mais pessimista possível: o desemprego aumentou nos dois países, investimentos foram congelados e os únicos “salvadores” para essa situação são justamente os investidores privados. São eles que talvez possam olhar um pouco pelo Terceiro Setor, uma vez que projetos oficiais, sustentados e promovidos pelos governos, não existem, não são tratados da maneira adequada ou sequer foram implementados.

“O investimento privado é a única saída para o Terceiro Setor no Brasil e no mundo.”

Há muitas pessoas do bem trabalhando no Terceiro Setor, com ONGs que fazem um trabalho muito dedicado e que precisam da ajuda do setor privado. Acredito que, neste momento em que não há perspectivas de a economia brasileira e angolana se recuperarem a curto prazo, é muito importante que o setor privado assuma a responsabilidade de promover projetos que transformem sua comunidade, seu país, a sociedade e principalmente aqueles que precisam.

Costumo dizer com alguma tristeza que as pessoas que circulam a nossa volta simplesmente não nos veem. Quer seja no Brasil ou em Angola, as ONGs não podem sobreviver sem o apoio do Estado e do setor privado. É preciso de alguma forma fazer um trabalho mais focado em ajudar aqueles que precisam. É preciso que aqueles que integram o setor privado olhem um pouco para quem está ao seu lado, para aquela ONG pequena do bairro, para aquela organização dentro da comunidade carente. Todos esses pequenos atores do Terceiro Setor, que são sérios, precisam ser respeitados e apoiados.

Sempre menciono que ajudamos, por meio da organização a qual presido, a TheBridge Global, a construir pontes. Foi justamente por esse motivo que fundei a minha empresa: porque de repente descobri que eu fazia imensas pontes diariamente, juntava quem precisava com quem tinha para dar, e de alguma forma consegui implementar projetos sociais criando essas pontes, fazendo essas relações, estabelecendo esses contatos.

A ideia era mostrar às organizações como elas poderiam contribuir para a sociedade. E é aí que reside o papel fundamental que o setor privado tem no fomento de projetos sociais: sua força financeira colabora para construir oportunidades, para abrir portas, para construir pontes, garantindo a sobrevivência das pequenas e médias organizações.

Vivemos num mundo interconectado, interdependente, que não existe sem esses vínculos, sem apoios, sem acordos e sem contratos. Quando uma ONG ou OSCIP pede ajuda de uma empresa, é porque não há outra maneira para que elas possam simplesmente existir. Nesse sentido, o setor privado pode (e deve) incentivar e financiar essas organizações, com o objetivo de se tornar mais presente no dia a dia das pessoas, reforçar seus ideais e sua missão, assumindo muitas vezes o lugar do Estado na promoção de projetos sociais que transformem a sociedade.

“A força financeira do setor privado colabora para construir oportunidades, para abrir portas, para construir pontes, garantindo a sobrevivência das pequenas e médias organizações.”

Essa não é, evidentemente, uma tarefa das mais fáceis. Existe muito, mas muito trabalho pela frente. Mas é preciso começar de alguma forma. Seja você um filantropo ou esteja à frente de uma organização do setor privado, organize um time para mapear quais são as entidades da sociedade civil que precisam de algum auxílio ou suporte. O site e-solidário pode ajudá-lo nessa tarefa. É uma plataforma muito interessante e funcional que promove o encontro entre organizações sociais e pessoas dispostas a colaborar com objetos, tempo ou dinheiro. Pode ter certeza que todo esforço valerá a pena.

*Leonor Sá Machado é presidente da TheBridge Global

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