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Direitos Humanos por um futuro mais justo

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Desde que foi aprovada pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos serve como base para a criação de um mundo mais igualitário para todos. Seus 30 artigos são praticamente um tratado de liberdade e amor ao próximo e, quase 70 anos depois, continuam extremamente atuais. A ideia do documento começou a ser formulada em um momento conturbado para o mundo, que ainda vivia os efeitos da Segunda Guerra Mundial. Uma das motivações para sua assinatura foi o compromisso assumido pelos líderes mundiais de nunca mais deixar que uma atrocidade tão grande como as vistas durante a guerra viessem a ocorrer no mundo. Logo no artigo 1, a Declaração Universal dos Direitos Humanos enfatiza: “Todas os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade”. Mas, na prática, não é exatamente isso que vemos por aí.

Aqui no Brasil, as estatísticas da desigualdade ainda saltam aos olhos. Com o recorde de país que mais mata travestis e transexuais, o quinto em número de feminicídios, com uma educação que reforça desigualdades entre negros e brancos e uma desigualdade salarial entre homens e mulheres aumentando em pleno século 21, ainda temos uma longa caminhada na busca pelos direitos humanos.

Se temos mesmo o direito de igualdade “sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, idioma, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição“, como diz o documento, o que explica os dados acima? Eles não ecoam apenas no Brasil, mas também são replicados em diversos países mundo afora.

A responsabilidade de mudar isso recai sobre os principais líderes globais – alguns dos quais apenas reforçam estas desigualdades e preconceitos. Mas será que não podemos mesmo fazer nada sozinhos para provocar essas mudanças que queremos ver no mundo, como sugere a célebre frase atribuída a Mahatma Ghandi?

Foi uma sensação como essa que levou a líder Theresa Kachindamoto, governante do distrito de Dedza, no Malawi, a juntar suas forças contra os casamentos infantis em seu país. A história dela foi contada aqui no Hypeness em 2016. Na época, ela já havia conseguido a anulação de mais de 850 casamentos forçados, ao instituir a maioridade de 18 anos para o casamento – regra que vale mesmo para uniões com o consentimento dos pais.

Como a região em que trabalha é muito pobre, muitas famílias apostam no casamento precoce e arranjado das filhas mulheres para aliviar os gastos em casa. Todas as crianças envolvidas nas uniões desfeitas por Theresa foram enviadas de volta para a escola. A ativista acredita que a educação poderá empoderar as meninas do país para que elas possam tomar suas próprias decisões sobre o futuro.

Theresa também passou a lutar contra a iniciação sexual de crianças que ocorre em rituais no país. As meninas costumam ser enviadas a campos onde irão aprender como satisfazer seus parceiros – e sua formatura pode envolver manter relações com o “professor”. Algumas delas são levadas a estes locais com apenas 7 anos. Graças a isso, os dados também apontam que uma em cada cinco garotas do país são vítimas de violência sexual antes dos 18 anos.

E o que nós, que estamos aparentemente longe destes problemas, podemos fazer para aumentar a conscientização sobre eles? Usando a criatividade, a BBC Media Action respondeu a essa questão, transformando o seu smartphone no de um refugiado por alguns minutos, através de um vídeo impactante.

De preferência, assista em seu telefone, na posição vertical, e usando fones de ouvido – o vídeo está em inglês, mas a mensagem passada por ele é universal:

O roteiro da produção foi criado com base em conversas com diversos refugiados, através das quais foi constatado que o acesso à internet e às redes sociais ajuda estas pessoas a se sentirem mais conectadas e informadas enquanto estão em trânsito. Espera-se que imagens sirvam para auxiliar no entendimento sobre as situações enfrentadas pelos refugiados após deixar seu país.

O vídeo narra a história de um homem que está fazendo a travessia de Esmirna, na Turquia, de barco até a Grécia. Primeiro, ele é contatado pelo filho através do Whatsapp, para quem envia suas coordenadas tentando descobrir onde está. Logo são enviadas também fotografias mostrando um barco repleto de refugiados. Algum tempo depois, a mesma pessoa é contatada por um desconhecido que indica que as autoridades fecharam as fronteiras e será necessário retroceder. Mas como saber se é possível confiar nesta pessoa?

Não é preciso ir tão longe para ver os bons exemplos se multiplicarem. Aqui no Brasil, uma aposentada e assistente social de 70 anos decidiu espalhar amor onde muitas vezes as pessoas só recebem desprezo: a Cracolândia de São Paulo. À noite, Maria Albertina França passeia pelas ruas da cracolândia uma vez por semana distribuindo abraços.

Dona Tina, como é conhecida entre os moradores da região, frequenta o local sozinha e de forma voluntária. Enquanto está por lá, todos deixam as drogas de lado por alguns minutos em respeito a ela. É através do amor que a aposentada busca ajudar quem está nas ruas e, quem sabe, fazer com que os consumidores lembrem de que continuam sendo dignos de afeto, independente de suas escolhas.

Outra atitude impactante criada por aqui é a do Projeto RUAS, que desenvolveu uma iniciativa envolvendo comunidades vulneráveis de diversas cidades brasileiras. As pessoas em situação de rua atendidas pelo projeto em Botafogo, no Rio de Janeiro, escreveram mensagens para outras pessoas em situação semelhante que viviam em outras cidades brasileiras onde o projeto atua, como Maceió, São Paulo e (em breve) Brasília.

A iniciativa busca promover o diálogo entre pessoas em situação de rua de diversas regiões do país para que elas possam trocar experiências e entender que não estão sozinhas e há mais gente passando pelas mesmas dificuldades. A maior parte das mensagens trocadas é de estímulo, força e motivação para seguir em frente, mostrando que mesmo nos piores momentos eles sabem que tudo um dia vai melhorar.

Recentemente falamos também sobre uma população que raramente é escutada: as pessoas que cumprem pena em presídios brasileiros. Para falar sobre a realidade dos detentos, a ONG Rede Justiça Criminal produziu um vídeo em 360° que simula o interior de uma cela superlotada, em que 25 pessoas dividem um espaço de somente 9 metros quadrados.

O vídeo foi divulgado como parte da campanha Encarceramento em Massa não é Justiça. Ao final da produção, um letreiro alerta que há 622 mil pessoas presas em condições desumanas no Brasil – e pelo menos 40% delas já deveriam estar em liberdade. A mensagem não poderia ser mais clara e pede a adoção de práticas que possam diminuir a superlotação em penitenciárias.

É o debate sobre questões como essas que pretendemos sempre estimular aqui no Hypeness, trazendo à tona temas relacionados aos direitos humanos como uma forma de conscientizar as pessoas sobre um assunto tão falado atualmente. Sempre que possível, nós dedicamos um espaço no site para debater questões que perpassam essa esfera e incluem direitos da comunidade LGBTQIA+ (clica aqui se você não sabe o que a sigla significa), discussões sobre igualdade de gênero, questões étnicas e de desigualdade de renda, entre outras.

Porque nós acreditamos na possibilidade de um ambiente em que todos sejam bem-vindos “sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, idioma, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição“. E você?

Texto Original: Hypeness

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