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Mulheres com “M” grande – Exemplos de histórias no feminino no mundo dos negócios

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Fonte: Reprodução/ Link to Leaders

O que têm em comum Rita Nabeiro, Teresa Damásio, Sofia Koehler, Lúcia Piloto, Fernanda Freitas, Sofia Oliveira, Leonor de Sá Machado ou Felicidade Ferreira, entre muitas outras mulheres? Todas elas são um exemplo de determinação, resiliência e força no mundo dos negócios.

Hoje, a propósito do Dia da Mulher, desafiámos 15 mulheres, algumas jovens empreendedoras, outras com a experiência de anos de trabalho, e de diferentes setores de atividade, a partilharem o que as motiva, as barreiras que enfrentaram, ou enfrentam, num universo empresarial maioritariamente masculino.


Leia e inspira-se nas histórias de vida destas 15 profissionais que deixam alguns conselhos às “novas empreendedoras”.

Rita Nabeiro, CEO da Adega Mayor, Teresa Damásioadministradora do grupo Ensinus, Leonor de Sá Machado, presidente da TheBridgeGlobal, Sofia Oliveiracofundadora da marca Josefinas, Fernanda Freitas, CEO da Eixo Norte Sul, Ana Rita Clara, apresentadora de Tv e fundadora da organização “Change It”, Lúcia Pilotofundadora do Grupo Lúcia Piloto, Sofia Koehlervice-presidente da Colquímica Adhesives, Rosário Pinto Correia, intrapreneur e regente de marketing na Católica Lisbon Business School, Sónia JerónimoCEO da Growin, Laurentina Gomesfundadora e administradora do Grupo Liscic/Listopsis, Belén VicenteCEO da Medical Port, Felicidade Ferreiracountry manager da Primavera BSS, Juliana OliveiraCEO da OLIMEC, Mariana Torresnational franchisor Portugal da Helen Doron.

 

Rita NabeiroCEO da Adega Mayor

Como se tornou uma empreendedora?
Depois do meu percurso universitário trabalhei de forma independente como designer gráfica. Paralelamente criei, juntamente com uma colega um pequeno negócio onde criávamos e pintávamos t-shirts, que depois comercializávamos em pequenas feiras. A colaboração com o negócio familiar surgiu alguns anos mais tarde depois de trabalhar em agências. Em todo o caso, devo dizer que não me identifico com a palavra empreendedor. Acho que está sobrevalorizada. Prefiro usar a palavra atitude. É ela que define a nossa forma de estar na vida e eu procuro ter uma atitude positiva e pro-ativa nas várias áreas da minha vida.

Quais as principais barreiras que teve se ultrapassar?
As barreiras existem sempre, mas creio que as maiores começam em nós. Quando duvidamos das nossas capacidades e quando deixamos de lutar pelos nossos sonhos.
É certo que existem outro tipo de barreiras. No meu caso foi, acima de tudo, entrar num mundo que me era relativamente desconhecido até então. Sendo o vinho um sector maioritariamente familiar e tradicional e vindo eu de uma área diferente foi preciso aprender coisas novas, saindo da minha zona de conforto.

O que é que ainda falta para que as mulheres portuguesas tenham um papel mais ativo, mais visível e permanente no universo empresarial?
Ter mais mulheres e mais homens que lhes dêem oportunidades de ter mais visibilidade, nomeadamente, através de lugares de destaque dentro das organizações/instituições.

Qual a receita para sucesso de uma empreendedora?
Para mim não há receitas para o sucesso. O sucesso para uma pessoa pode ser uma coisa e para outra, algo totalmente diferente. Para uma mulher ter sucesso pode significar ser apenas uma boa profissional, para outra uma boa mãe. O sucesso devia medir-se pelo grau de satisfação e felicidade que uma pessoa tem com a sua vida e não pela visibilidade que aparentemente esta possa ter. A pessoa deve acima de tudo procurar a realização naquilo que gosta e quando perseguimos as nossas paixões, o resto surge com naturalidade.

Que conselhos pode deixar às novas empreendedoras?
Que acreditem nelas próprias, que lutem pelo que acreditam, que abracem causas e não coisas, que encontrem modelos e mentores ou mentoras que as possam guiar. Que tenham muita força, mas acima de tudo muita serenidade para encontrar as soluções, quando muitas vezes parecemos estar perdidos dentro dos problemas. Sempre que se fecha uma porta abre-se uma janela.

 

Teresa Damásioadministradora do grupo Ensinus

Como se tornou uma empreendedora?
Desde cedo que sentia a necessidade de fazer coisas e de ter iniciativas. Lembro-me que desde sempre achei que podia com a minha ação mudar o mundo. Entendo que não me tornei uma empreendedora. Fui educada num ambiente de grande rigor e disciplina mas de profunda autonomia e de responsabilidade e isso teve impacto em mim e no meu irmão e nos valores que nos foram passados pelos nossos pais. Desde pequenos que fomos envolvidos na vida da comunidade e foi-nos sendo explicado que todos somos responsáveis pela sociedade onde estamos inseridos.
Ao longo da minha vida adulta tenho vindo a consolidar todas essas vivências e aprendizagens e hoje as minhas competências levam-me a empreender todos os dias em algo novo. E sei que tenho conseguido mudar a vida de muitas pessoas e sinto-me muito orgulhosa com isso!

Quais as principais barreiras que teve de ultrapassar?
A crença de que os homens eram mais empreendedores do que as mulheres e que às mulheres estavam vedadas certas áreas da sociedade. No entanto, na atualidade creio que isso já se não coloca e as barreiras poderão ser só internas, psicológicas e, por isso, é fundamental que se projete as mullheres, que se lhes dê voz e palco para que as outras mulheres saibam que é possível. Considero que ainda há uma longa estrada a percorrer e que não podemos, de forma alguma, baixar os braços.

O que distingue as empreendedoras portuguesas?
Vivemos em ditadura durante muitas décadas e, portanto, ainda há alguns preconceitos latentes na sociedade portuguesa, pelo que tenho o maior orgulho no percurso das mulheres portuguesas e, naturalmente, das empreendedoras portuguesas. O que as distingue é a resiliência – levada ao extremo – e a energia transbordante que colocam em tudo o que fazem. Creio que as mulheres portuguesas têm feito um percurso absolutamente notável e que a sociedade tem beneficiado muito com isso. Seria desejável que fossemos mais visíveis mas o caminho faz-se caminhando!

O que é que ainda falta para que as mulheres portuguesas tenham um papel mais ativo, mais visível e permanente no universo empresarial?
Acredito que as últimas alterações legislativas irão promover uma mudança organizacional que em muito irá beneficiar as mulheres e promover o desenvolvimento sustentável da sociedade!
As empresas têm que ser mais inclusivas e ter necessariamente políticas amigas da conciliação.

Qual a receita para sucesso de uma empreendedora?
Ousadia. Espírito de sacrifício. Paixão pela vida e pelos outros. Ambição.

Que conselhos pode deixar às novas empreendedoras?
Acreditem sempre em si e nas suas ideias e não deixem que ninguém se interponha entre elas e o mundo. O céu é o limite.

 

Fernanda Freitas –  CEO da Eixo Norte Sul

 

Como se tornou uma empreendedora?
Começo a sentir que já nasci empreendedora! Quando olho para tudo o que fiz a partir dos 14, 15 anos: comecei a trabalhar numa rádio pirata, ajudei a fundar uma revista, integrei o Clube Europeu da Escola e participei numa das 1.ª sessões do Parlamento Europeu dos Jovens em França…! Saí de casa dos pais aos 18 anos para viver e trabalhar em Lisboa. Mudei de casa e de emprego várias vezes até que, há cinco anos, fundei a Eixo Norte Sul- uma empresa de conteúdos que já emprega 10 pessoas.

Quais as principais barreiras que teve, ou tem, de ultrapassar?
Acima de tudo, as vozes dos que acham que “não vale a pena o esforço“ ou pior ainda “se estás tão bem, porquê mudar?” Esta atitude de quem nos rodeia pode aniquilar qualquer pessoa num momento de maior vulnerabilidade…
Depois há um lado muito palpável e terrível que é a tesouraria! Quando não fizeste qualquer formação na área e percebes que vais ter de pagar tantos impostos quanto uma empresa gigante! Isso é tão injusto… no 1.º ano tive de escolher entre pagar salários ou pagar o IVA a tempo, por exemplo. E descobrir à força que os atrasos em pagamentos ao Estado originam coimas brutais – mesmo que nunca tenhas tido um problema com a segurança social ou com a autoridade tributária.

O que distingue as empreendedoras portuguesas?
Não sei se há uma distinção tão marcadamente geográfica… mas se nos compararmos com as americanas, diria que temos mais medo de falhar. Em relação às do Norte da Europa temos menos fórmulas de flexibilização de horários, por exemplo.

O que é que ainda falta para que as mulheres portuguesas tenham um papel mais ativo, mais visível e permanente no universo empresarial?
Decidir que querem ter esse papel e ter formas de o desempenhar sem terem de ficar divididas ou com sentimentos de culpa por estarem menos tempo dedicadas à casa, à família. Isto passa não apenas por políticas de equidade (e não unicamente de igualdade) mas também por uma mudança de mentalidades das próprias mulheres que já são líderes empresariais e que são tidas como exemplo: não podem ser casos raros nem permitirem serem vistas como tais!

Qual a receita para sucesso de uma empreendedora?
Persistência, foco e muito boa disposição!! A equipa certa e motivada compõe o resto da receita.

Que conselhos pode deixar às novas empreendedoras?
Procurem um modelo de mentoria! Não vale a pena uma travessia por um deserto que alguém já percorreu e que vos pode ajudar a encontrar o melhor caminho! E não deixem de fazer networking! É fundamental ter uma boa carteira de contactos em diversas áreas. Por fim, invistam sempre na vossa formação. Nunca se sabe se, por exemplo, dominar mais uma língua poderá fazer a diferença numa proposta a um cliente!

 

Sofia Oliveiracofundadora da marca Josefinas

 

Como se tornou uma empreendedora?
Na verdade foi um pouco ao acaso. Cruzei-me com a Maria Cunha (cofundadora e CEO da Josefinas) e a Filipa Júlio (cofundadora da Josefinas) e acabei por integrar o projeto numa fase muito inicial.

Quais as principais barreiras que teve, ou tem, de ultrapassar?
O calçado português ainda é um setor dominado por homens e, enquanto mulheres, a caminhada inicial foi difícil. Encontrar o fornecedor perfeito – que felizmente ainda é nosso parceiro – foi uma das maiores dificuldades que sentimos.

O que é que ainda falta para que as mulheres portuguesas tenham um papel mais ativo, mais visível e permanente no universo empresarial?
Por um lado, talvez acreditar; por outro lado, derrubar a associação direta entre negócio-homem.

Qual a receita para sucesso de uma empreendedora?
Não há uma receita, mas há vários ingredientes que ajudam. A meu ver, não há sucesso sem algum sacrifício, garra, perseverança e paixão.

Que conselhos pode deixar às novas empreendedoras?
O primeiro é que não desistam se acreditam verdadeiramente na ideia – pelo caminho surgem muitas pedras, mas nós sabemos mais, e somos capazes de muito mais do que aquilo que achamos ser. E o segundo, rodeiem-se das pessoas certas: aquelas vos tornam na vossa melhor versão.

 

Leonor de Sá Machadopresidente da TheBridgeGlobal

 

Como se tornou uma empreendedora?
Fiz uma carreira profissional bastante rápida na área de Marketing, Comunicação e Vendas. Comecei com 21 anos na Johnson & Johnson como delegada dos serviços educacionais, aos 29 anos era directora geral comercial da Renova e aos 37 directora geral da Bimbo. Depois veio uma grande mudança para a banca em Angola onde estive 10 anos e desenvolvi grandes projectos sociais. Quando decidi sair já tinha na minha mente trabalhar projectos de responsabilidade social. Criei a TheBridge no Brasil e em Angola, em 2013. A aventura começou…

Quais as principais barreiras que teve, ou tem, de ultrapassar?
Ser empreendedora muda bastante de mercado para mercado. Achei o Brasil muito difícil para se desenvolver um novo negócio, apesar de ser um mercado com muito potencial e de uma grande dimensão. Angola é mais recetiva a projetos de responsabilidade social e a TheBridge  foi muito bem recebida. Não sinto que tive barreiras de nenhuma espécie, mas senti-me sempre muito “estrangeira” no Brasil e muito integrada em Angola.
Ao longo da minha carreira profissional nunca senti qualquer descriminação ou diferença de tratamento por ser mulher. Essa foi a minha forma de estar…sempre assumi uma postura de igualdade muito assertiva.

O que distingue as empreendedoras portuguesas?
Acho a mulher portuguesa bastante resiliente e lutadora. As mulheres são multitarefas e essa característica está muito presente na sociedade portuguesa.

O que é que ainda falta para que as mulheres portuguesas tenham um papel mais ativo, mais visível e permanente no universo empresarial?
A igualdade de género é uma igualdade real, penso que assumir esta premissa é fundamental para liderar o nosso próprio negócio. A independência financeira tem um papel importante no sucesso de uma empreendedora. Conhecer bastante bem o negócio que se vai desenvolver e rodear-se de pessoas capacitadas ajuda na liderança e pode fazer a diferença.Ter um grande controle da área financeira sem deixar a paixão e o sonho desaparecerem do horizonte.
Aparecer, aparecer e aparecer.Trabalhar a sua imagem e a do seu negócio de uma forma realmente efetiva e credível.

Qual a receita para sucesso de uma empreendedora?
Ter uma visão do negócio diferenciada. Acreditar na sua ideia com paixão. Ser percursora no que vai empreender e, principalmente, ter capacidade de sobrevivência. A resiliência para mim é um fator de sucesso. Cair, levantar-se e nunca desistir…”ou conseguimos ou não desistimos”…como diz uma amiga minha. Não há outra opção.

Que conselhos pode deixar às novas empreendedoras?
Quem está habituada a um salário fixo no fim do mês e larga tudo para começar o seu próprio negócio deve estar preparada para ter que lidar com algum sofrimento e angustia…nada é fácil. É passar de uma situação confortável para a insegurança permanente. Há que alimentar essa coragem todos os dias, cuidar da sua saúde física e mental e auto-motivar-se com os pequenos sucessos. No final vale  MUITO a pena!!!!!

 

Ana Rita Clara – Apresentadora de Tv e fundadora da organização Change It

 

Como se tornou numa empreendedora?
Foi um processo natural, faz parte do meu ADN pessoal, mas que fez sempre muito sentido. Tudo começou com uma vontade enorme e muito genuína de fazer mais, melhor e diferente. Começou pelo perfil de comunicar com intensidade e profissionalismo, até criar a minha própria empresa, com projetos inovadores, o lançamento do meu espaço digital, o Ana272, até ao Movimento “Change It”, que procura empoderar pessoas e organizações.
Aproveitei igualmente a amplificação que a minha carreira me permite para dar voz a temas realmente importantes e com os quais me preocupo muito.

Quais as principais barreiras que teve, ou tem, de ultrapassar?
As barreiras são uma constante na vida de qualquer pessoa, faz parte. Uma das principais barreiras que tenho é mesmo conseguir ter tempo para realizar todos os meus planos e desejos. Não é fácil, mas com muito trabalho e dedicação vou conseguindo alcançar as minhas metas. Sei quais são os objetivos que quero cumprir e tento ser o mais focada possível.

O que distingue as empreendedoras portuguesas?
As empreendedoras portuguesas, no geral, têm uma garra muito própria. Existem muitas adversidades no caminho de uma mulher empreendedora portuguesa, mas nós somos muito corajosas e gostamos de bons desafios, de ir mais longe.

O que é que ainda falta para que as mulheres portuguesas tenham um papel mais ativo, mais visível e permanente no universo empresarial?
Falta talvez algum reconhecimento e ganharem escala nos seus projetos. Também a nossa dimensão enquanto país pode ter alguma influência e isso reflete-se. Mas para mim não existem impossíveis. E sei que nós temos muito valor e vamos continuar a lutar, como sempre o fizemos.

Qual a receita para sucesso de uma empreendedora?
Ser muito focada e saber qual o caminho que queremos percorrer. Definir bem as metas que queremos alcançar, sermos práticas nas nossas decisões e dar tempo ao tempo. Conseguir encontrar a energia certa para crescer, e construir.

Que conselhos pode deixar às novas empreendedoras?
Para nunca desistirem, nem nos dias mais complicados, que com trabalho e dedicação, tudo é possível! É normal dormir pouco, é normal ter dias menos bons, é natural o cansaço. Mas faz parte do caminho. Temos de ter estratégias para lidarmos com isso.
E no final, a recompensa é maior. Construir um percurso e fazer as coisas acontecerem é dos melhores prazeres que podemos ter na vida.

 

Lúcia Pilotofundadora do Grupo Lúcia Piloto

Como se tornou uma empreendedora?
Comecei a trabalhar muito cedo, aos 18 anos, e descobri logo nessa altura que ser cabeleireira seria a minha profissão para sempre. A minha paixão é o mundo da beleza, gosto de embelezar as pessoas. Abri um pequeno salão numa segunda cave e recordo-me que antes da hora de abertura havia clientes que faziam fila à porta. A partir daí foi com muito trabalho, dedicação e persistência que conseguimos manter e alargar/expandir o negócio. Contei sempre com o apoio fundamental do meu marido, tendo sido ele o impulsionador da abertura do primeiro espaço. Esteve sempre ao meu lado a incentivar-me e ajudar-me a seguir os meus sonhos. Tento evoluir diariamente enquanto profissional, algo que me dá bastante prazer e é este prazer que tenho pelo trabalho que me traz a ambição de continuar. por muitos mais anos.

Quais as principais barreiras que teve, ou tem, de ultrapassar?
Diria que o maior desafio que tive a nível profissional foi mesmo a decisão de abrir o meu primeiro espaço. Naturalmente surgiram vários obstáculos ao longo destes 40 anos de profissão e gestão de uma marca própria. Passámos por várias épocas e mudanças do mercado. O grau de exigência hoje é muito maior, há muito mais oferta e temos de tentar elevar sempre a fasquia. Um dos grandes desafios passa por nos distanciarmos da concorrência. Todos os dias temos de inovar e tentar reinventar-nos. Um outro grande desafio remete para a gestão dos recursos humanos. Felizmente cerca de 50% das pessoas das nossas equipas têm entre os 15 a 20 anos de experiência na casa, mas esta é uma área em que existe imensa rotatividade inevitavelmente. Este foi também um dos motivos pelos quais decidimos criar a nossa própria Academia de formação.

O que distingue as empreendedoras portuguesas?
As mulheres portuguesas são determinadas, com garra, visionárias e não baixam os braços. Estamos sempre prontas para encarar novos desafios e é esta ambição que nos faz chegar mais longe.

O que é que ainda falta para que as mulheres portuguesas tenham um papel mais ativo, mais visível e permanente no universo empresarial?
Acho que cada vez mais se começa a dar valor ao que se faz em Portugal, e penso que isso é transversal às várias áreas de mercado. Estamos ao nível dos melhores mas falta-nos a confiança para reconhecermos isso. No que respeita ao nosso setor, os portugueses ainda têm a mentalidade de que tudo que é estrangeiro tem mais qualidade do que o nacional, que quem dita as tendências são apenas os grandes nomes internacionais. Mas penso que isso está a mudar e a formação, que é cada vez mais valorizada a nível nacional, é precisamente um dos fatores que veio alavancar essa mesma mudança.

 Qual a receita para o sucesso de uma empreendedora?
Inovação, dedicação e persistência. Penso que hoje em dia existem muitos mecanismos de apoio à criação de novos negócios. Há muita informação disponível, pelo que se torna fácil para qualquer pessoa abrir um negócio. Mas também é verdade que a concorrência é muito maior e mais forte. O grande desafio é criar um negócio diferenciador que não seja apenas mais um. Para isso é preciso ter coragem, persistência e criatividade. Esta persistência surge se tivermos um gosto enorme pela nossa profissão, que é outro fator fundamental para alcançar o sucesso.
Para mim o apoio familiar é também indispensável. Felizmente tenho uma família muito unida e tenho a sorte de poder trabalhar com ela, sendo que as minhas filhas e marido estão envolvidos no negócio. Somos uma equipa forte e unida, isso faz toda a diferença. Na minha área de negócio penso que também é importante, não só o nosso profissionalismo, como também a forma como nos envolvemos emocionalmente e criamos relações de proximidade e amizade com o cliente.

Que conselhos pode deixar às novas empreendedoras?
O mais importante é saberem, antes de mais, qual é a sua ambição e onde pretendem chegar, ou seja, quais os objetivos. Para isso é extremamente importante investir na formação, informando-se e especializando-se, seja em que área for. Por fim, é perceber e aceitar que tem de se trabalhar muito. É preciso ter uma enorme persistência e foco para se atingir o que se deseja.

 

Sofia Koehlervice-presidente da Colquímica Adhesives

 

Como se tornou uma empreendedora?
Trabalho desde os 19 anos, sendo que conciliei os estudos universitários com o trabalho, por vontade própria.
Integrei a Colquimica Adhesives com a intenção de ficar por um período curto em 2002. A empresa era relativamente pequena na altura. Fazer parte do projeto de expansão da empresa foi um privilégio. Foi um caminho difícil, mas é um orgulho termos chegado onde chegamos. Em 2015 decidi investir, em conjunto com o meu irmão João Pedro Koehler, na compra da empresa aos meus irmãos. A partir dessa data tornámo-nos proprietários da totalidade do grupo.

Quais as principais barreiras que teve, ou tem, de ultrapassar?
As características que me descrevem são sobretudo pró-atividade, positivismo, resiliência, capacidade de ouvir as pessoas e de encontrar soluções de compromisso quando os desafios são mais complexos.
Tenho uma relação aberta com a minha equipa e procuro dinamizar um estado de espírito colaborativo, em que se procura soluções e não se enfatizam problemas.

O que distingue as empreendedoras portuguesas?
Têm características muito interessantes. Eu faço parte da Rede Mulher Líder, promovida pelo IAPMEI, em que estimulamos encontros nas nossas empresas, trocamos experiências e discutimos temáticas comuns dos nossos negócios. Encontro muitas semelhanças entre nós, pois a entrega das empreendedoras portuguesas ao negócio, a positividade, a capacidade de comunicação, a proatividade e a capacidade de adaptação a diferentes cenários é algo que admiro nas minhas colegas.

O que é que ainda falta para que as mulheres portuguesas tenham um papel mais ativo, mais visível e permanente no universo empresarial?
Não encontramos muitas mulheres na liderança das empresas portuguesas, isso é um facto. Na minha opinião, isso não se deve à falta de competências das mulheres mas sim a motivos culturais. Muitas mulheres no passado decidiram que seriam os homens a investir na carreira, para que estas pudessem dedicar mais tempo à família. Essa realidade ainda se reflete na falta de líderes femininas de hoje. No entanto, estou convicta que essa realidade está a alterar-se.

Qual a receita para sucesso de uma empreendedora?
Sou da opinião de que o sucesso vem de uma receita que se compõe por 99% de esforço e 1% de sorte. Além disso, a criatividade, a agilidade e a resiliência são fatores marcantes para o sucesso.

Que conselhos pode deixar às novas empreendedoras?
Acredito vivamente que as bases para o sucesso de qualquer negócio são: foco na satisfação dos clientes. Qualquer empreendedora tem de controlar a locomotiva dos negócios que são os clientes; atração e retenção de talentos de forma a criar uma  equipa forte e comprometida; investimento contínuo no negócio, em investigação, na melhoria de processos, em formação e em marketing.

 

Veja a lista completa aqui.

Fonte: Link to Leaders

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